Impressões depois de um ano de Canadá: EMPREGO

Como falei no último post, foi um ano corrido por aqui. Tanto que o blog acabou ficando um pouco de lado no meio de tantas mudanças, acontecimentos e recalculadas que o gps da vida colocou na nossa frente.

Na série de hoje falo sobre emprego. Nos próximos posts eu vou falar sobre custo de vida, transporte e habitação.

Logo que eu cheguei ouvi muita gente falando da tal experiência canadense. Confesso que achei que era um pouco de exagero. Afinal, se você é competente, o que impede a pessoa de te contratar?

Então… O que impede é que ela não sabe que você é competente. Você pode apresentar 20 títulos, trabalhos foda, referências legais… Ainda assim, ela não te conhece.

No Brasil você passa anos fazendo contato. Colégio, faculdade, amigos, parentes, conhecidos de pessoas que você trabalhou ou tem algum tipo de relação. Aqui, você não tem a sua rede de contatos. Quando você chega, não tem indicação de amigo, a pessoa não sabe que a empresa que você trabalhava era grande e que a sua formação é na melhor universidade do Brasil (e mesmo se vc falar a pessoa não entende a qualidade da formação brasileira).

Você basicamente precisa reconstruir a sua reputação profissional. Do zero. Você pode conseguir trabalho na sua área? Claro. Só que dificilmente será no mesmo posto que você tinha.

Eu dirigia documentários no Brasil, roteirizava séries e filmes. Aqui constantemente tento provar o que eu sei sob olhares de desconfiança. Eu também trabalhava como professora universitária no Brasil. Ao ficar por aqui, sei que vai demorar anos para eu alcançar os mesmos postos, mesmo tendo um inglês proficiente, com titulação de PhD. Se provar competente – e uma profissional confiável – por aqui é diferente do que que no Brasil. Lembre-se: seu background é em outra língua, em outra cultura, em outro país, com outra rede de pessoas.

Qual a solução então? Honestamente? Estou procurando ainda. Acho que trabalho voluntário na sua área é legal. Eu estou trabalhando como escritora em uma ONG por aqui. Tá sendo muito legal a experiência e finalmente eu consigo provar para eles que uma Gringa consegue escrever em inglês como um deles.

Vou falar mais para frente como é diferente trabalho voluntário daqui e do Brasil. Para resumir aqui o trabalho voluntário é encarado como um trabalho mesmo, com cobrança de resultados, horários, tudo. E é muito comum participar. É visto como uma forma de contribuir com a sociedade e encarado como uma responsabilidade de todos.

Outras areas podem ser mais simples, afinal, se provar como escritora em uma língua que não é a sua de nascencia não é a coisa mais fácil do mundo. Ainda assim, referências são muito reconhecidas por aqui. Vi uma pesquisa que disse que 80% das vagas são preenchidas por causa de referência – o famoso QI (quem indicou) do Brasil.

Minha dica então é: faça contatos, conheça gente, trabalhe como voluntário. Prove o seu valor e tenha paciência. Não adianta esperar que em um ou dois anos você tenha a mesma rede de contatos que teceu durante uma vida toda no Brasil. Pode ser um pouco frustrante no começo, mas quando você olha para os lados, respira um ar fresco, pensa que o futuro pode trazer muitas coisas boas, te garanto que você fica mais tranquila e decide que reconstruir a sua carreira não é tão ruim como parece.

Vou falar mais sobre trabalho no blog em posts futuros.

 

 

 

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